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Entrevista com a Meta Consultoria

A Meta Consultoria é a empresa júnior mais antiga da Escola de Engenharia da UFF, tendo 22 anos de existência. Eles são uma empresa de consultoria em Engenharia e Gestão de Negócios, que abrange 5 engenharias: Engenharia de Telecomunicações, Elétrica, Mecânica, Civil e Produção. Durante sua trajetória, já realizaram mais de 250 consultorias, com mais de 96% de satisfação de seus clientes. Dentre seus clientes, estão o grupo ENEL, que é responsável pela distribuição de energia elétrica de Niterói, o Grupo Trigo, a holding dona dos restaurantes Koni, Dominos e Spoleto, as empresas de combustíveis Shell e Ipiranga, a montadora Mercedes-Benz, a seguradora Capemisa, entre diversas outras grandes empresas, além de pessoas físicas. Dentro de todo o Movimento Empresa Júnior (MEJ), a empresa está nas 15 melhores e maiores do país.

Nós, do Núcleo de Mídia da Escola de Engenharia (NME), conversamos com João Paulo Rovetta, o atual Diretor-Presidente da Meta Consultoria, e ele nos contou um pouco sobre a criação da empresa, o objetivo dela, os projetos realizados por eles e qual a importância para a vida profissional e pessoal do aluno ser membro de uma empresa júnior.

Confira a entrevista abaixo!

Conte um pouco sobre a história da empresa, como e quando ela foi criada.

A Meta Consultoria tem 22 anos de história. O Professor Emmanuel de Andrade ficou sabendo da ideia, trouxe para UFF e um grupo de alunos gostou. A empresa começou na mesma sala onde está localizada atualmente, com cinco pessoas e em condições totalmente diferentes da que estamos hoje. Muitas das divisórias da sala não existiam, era um espaço bem aberto, não tinha bancada, praticamente nada, e aí, com o tempo, a empresa foi começando a se estruturar. Os computadores começaram a chegar para que os projetos pudessem ser feitos, nós conseguíamos comprar uma coisa ou outra, e, depois de 22 anos, continuamos sempre melhorando nossa infraestrutura! A partir da infraestrutura proporcionada pela universidade e pelos membros da empresa, conseguimos ter uma empresa com uma ótima gestão interna (já ganhamos diversos prêmios, inclusive o Prêmio de Qualidade do Estado do Rio de Janeiro), também tivemos um crescimento exponencial em número de projetos, conseguindo fechar quase 40 projetos no ano de 2016, 60% em cima do ano de 2015.

A Meta Consultoria foi a primeira Empresa Junior da Engenharia?

Sim, a Meta foi a primeira Empresa Júnior da UFF e uma das primeiras do Rio de Janeiro. O movimento da empresa júnior é recente, surgiu na década de 60, na França, porque as pessoas estavam se formando e não conseguiam encontrar emprego, já que a Europa estava em crise, e quando o formado chegava ao mercado de trabalho, diziam que só contratavam pessoas com experiência. Então, com toda essa dificuldade, pensaram em fazer uma empresa júnior dentro da faculdade, para já adquirir experiência e ter um diferencial. Isso deu certo lá, e, através dos nossos diplomatas entre a França e o Brasil, na década de 70, veio para cá, primeiro na FGV de São Paulo, e depois chegou ao Rio de Janeiro. A primeira do Rio de Janeiro foi a EJCM, que é a empresa júnior de Engenharia da Computação da UFRJ, a qual tem, se não me engano, 26 anos de existência, enquanto nós temos 22. Dentro do Estado, fomos uma das primeiras a se formar, e, na UFF, fomos a pioneira.

Qual o objetivo da empresa?

Nós temos uma missão bem forte e intrínseca aos membros, fazer a diferença na vida das pessoas. Disso, saem três vertentes: a primeira, nossos clientes. Queremos fazer com que a solução proposta surta efeito em sua vida/negócio, não importa qual for o cliente. A segunda vertente seria a sociedade. Acreditamos que nossos projetos conseguem abranger mais do que nosso cliente, mas também a sociedade de modo geral, já que os negócios de nossos clientes impactam a vida de outras pessoas também. A terceira seriam os membros da Meta Consultoria, visto que realizando os projetos, conseguimos experiência para o mercado de trabalho e ganhamos com um desenvolvimento não somente profissional, mas pessoal também! Muitos ex-empresários juniores dizem que a passagem por uma empresa júnior é uma fase de autoconhecimento.

Atualmente, quantas pessoas fazem parte da equipe?

Temos cerca de 75 pessoas como membros da Meta Consultoria atualmente, ano passado passaram mais de 100 pessoas pela empresa, e já são mais de 400 pessoas formadas que passaram pela Meta ao longo desses 22 anos de história.

A empresa é dividida em quais setores?

Bom, nós chamamos os departamentos de células, então temos a célula da Presidência, Marketing, Gestão de Pessoas, Projetos e Administrativo-financeiro. Temos também núcleos que são associados a essas células, chamados de subcélulas, que são divididas em: Área Comercial, que diagnostica a demanda de nossos cientes, negocia e vende os projetos; a Prospecção Ativa, que realiza a prospecção pessoalmente de projetos, sendo uma maneira alternativa de chegada de projetos; a Associação de Orientadores e Ex-membros, que faz a interface da Meta com os ex-membros, atualizando sobre as novidades e pedindo capacitações/workshops quando necessário; e a T.I. (Tecnologia de Informação), que é responsável por softwares, hardwares e capacitações.

Alunos de quais cursos e a partir de qual período podem participar?

Nós trabalhamos com cinco Engenharias: Mecânica, Produção, Elétrica, Civil e Telecomunicações. A partir já do primeiro período o aluno pode se inscrever no processo seletivo.

Somente alunos da graduação podem participar ou alunos da pós-graduação também podem?

O conceito de empresa júnior é de ser uma empresa composta e gerida por alunos de graduação, então, somente graduandos podem participar. Por outro lado, temos um auxílio enorme de profissionais formados, pois podem ser orientadores de nossos projetos, nos respaldando tecnicamente.

Como é o processo seletivo?

Temos um processo bem estruturado, que é composto por duas fases e uma equipe específica e voltada para ele. A primeira etapa, da Fase Inicial é a prova escrita. Nessa prova, é cobrado conhecimentos gerais sobre a empresa e o MEJ, e usamos também para saber o que o aluno espera da Meta e o que tem para nos oferecer. Se passar por essa prova, vem a segunda etapa, que é a dinâmica de grupo. Nós temos algumas metodologias de dinâmica, que levam aproximadamente duas horas e mostram situações reais de mercado para eles trabalharem em cima. Com isso, podemos ver como eles agem em grupo, quem tem sinal de liderança, quem é muito teimoso, e tentamos selecionar quem se encaixa melhor nas competências que precisamos. Passando por essa etapa, vem a entrevista, onde o aluno vê cases de mercado. Essa etapa é bem parecida com a dinâmica, mas só estão o entrevistado e 2 entrevistadores. Em seguida, a quarta e última etapa dessa fase é a semana desafio, na qual os candidatos são divididos em grupos, e devem realizar a estruturação de um negócio, estabelecido pela equipe. No fim, devem realizar uma apresentação para a empresa inteira. A segunda fase é chamada de fase trainee, na qual o candidato passa por três meses de treinamento, capacitação, aulas experimentais com membros, profissionais de mercado e ex-membros. E, durante esses três meses, eles continuam sendo avaliados, então, para ver se alguém está deixando a desejar com alguma entrega, está muito ausente ou chegando atrasado. Somente depois de tudo isso o candidato é efetivado.

Que tipo de projetos vocês realizam?

Diversos, de demandas completamente diferentes. Em Engenharia de Produção, fazemos bastante projetos de Plano de Negócios, para estruturar o negócio de nosso cliente, sendo ele já existente ou não. Também fazemos bastantes projetos de Organização e Métodos, principalmente de Mapeamento de Processos. Em Engenharia Civil, fazemos projetos arquitetônicos completos, de instalações hidrossanitária, e de reforma e expansão. Em Engenharia Elétrica, fazemos projetos de instalações elétricas, SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) e Eficiência Energética. Em Engenharia Mecânica, temos em nossa carta de serviços Desenho, Modelagem e Projeção de peças mecânicas. Entretanto, a demanda de clientes é muito variada, por exemplo, já realizamos projetos de Prototipagem de um robô de desinfecção hospitalar e ao mesmo tempo, outro projeto de projeção de uma câmara acústica móvel. Em Engenharia de Telecomunicações, temos em nossa carta de serviços, Cabeamento Estruturado e RFID.

Você pode citar alguns projetos que a Meta já realizou?

Sim, claro! Em relação a Engenharia de Produção, fizemos recentemente um projeto de Mapeamento de Processos para a holding dona da Koni, Spoleto e Dominos. Além disso, estruturamos um Plano de Negócios para uma empresa que deseja desenvolver um sistema para fazer com que pneus furados consigam durar mais tempo, deixando de lado a necessidade de um estepe. Em relação à Civil, recentemente realizamos um projeto para diagnosticar e solucionar um problema de rachaduras de uma casa em Maricá e, a partir do diagnóstico, projetamos um telhado para que não houvesse mais infiltrações. Em relação à Engenharia Elétrica, fomos a primeira empresa júnior no estado a desenvolver e realizar um projeto de SPDA, mais conhecido como dimensionamento de Para-Raios, além de projetos de Eficiência Energética. Em Mecânica, fizemos projetos como já havia dito acima.

Atualmente, a empresa está trabalhando em algum projeto?

Sim. Estamos com 14 projetos em andamento.

Com a remuneração que a empresa ganha dos projetos, onde vocês investem?

A gente se baseia em dois pilares: no custo que chamamos de Custo Meta, voltado para o funcionamento da empresa, equipamentos que utilizamos, entre outros, e os custos com projetos, como, por exemplo, transporte. Os investimentos são sempre para a estrutura física da empresa ou para a capacitação dos membros. Vamos supor: precisamos de algum conhecimento que os membros da empresa não têm, por exemplo, o programa Revit O que fazemos é: ou tentamos pagar o curso para membros da área, ou pagamos o curso para um membro, que assina um termo de compromisso para repassar aos outros membros tudo o que ele aprendeu. Então, temos certo grau de organização para entender o quanto vamos arrecadar e quais conhecimentos precisamos adquirir, e investimos nisso.
O outro pilar é composto pelos gastos variáveis do projeto, sendo eles de aquisições que precisaremos especificamente para o projeto, alimentação ou transporte dos gerentes dos projetos.

Vocês recebem algum tipo de patrocínio?

Em relação a contribuição monetária, não. Somos uma empresa sem fins lucrativos, então o nosso faturamento é advindo somente de projetos, pois é como desenvolvemos nossos membros, é nossa atividade-fim. Nós temos algumas parcerias, como a UFF, que nos fornece o espaço físico, além de equipamentos que compõem nossa infraestrutura. Temos também empresas que oferecem cursos, para desenvolver ainda mais nossos membros. Além delas, algumas empresas de mercado também nos ajudam, com capacitações/ajudas pontuais, em troca de divulgação de processos seletivos e postagens pontuais.

Existe algum professor que ajuda na coordenação da empresa, ou o auxílio é somente para a coordenação de projetos?

Na coordenação e na gestão da empresa, não continuamente. Quando precisamos de alguma ajuda específica, contatamos professores da Escola de Engenharia e do Núcleo de Empreendedorismo. Toda a gestão é feita por alunos, os professores atuam fortemente nos projetos. Para cada projeto, uma premissa é ter um professor para nos orientar e nos dar suporte técnico.

Em que sentido fazer parte da Meta Consultoria contribui para a vida profissional de cada membro?

Posso responder citando números e exemplos, porque, se eu só falar, não será suficiente. Se pararmos para pensar em ex-membros, o atual presidente da empresa Kraft Foods na China se chama José Dias e foi Diretor de Marketing da Meta. Uma das maiores empresas de consultoria do Brasil, a Macroplan, tem como sócio-diretor um ex-membro da Meta. A Calandra Consultoria, outra empresa de consultoria, foi fundada há poucos anos por ex-membros da Meta. Então, temos exemplos muito legais de ex-membros que estão bem inseridos no mercado de trabalho, o que prova que é, sim, um diferencial. Existem até algumas empresas que, atualmente, não consideram mais a pessoa ter sido empresária júnior como um diferencial, e sim como um pré-requisito. E, além da experiência profissional absurda que ganhamos, o que acaba sendo um enorme diferencial no mercado de trabalho, fazer parte da Meta Consultoria é uma experiência pessoal muito boa e gratificante.

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