Entrevistas

A+ A A-

Entrevista com os Professores Helder e Valdecy - Artigo Premiado na Noruega

  • Publicado em Entrevistas
  • Lido 691 vezes
Destaque Entrevista com os Professores Helder e Valdecy - Artigo Premiado na Noruega
Avalie este item
(1 Votar)

No dia 21 de junho, aconteceu, na cidade de Tronheim, na Noruega, o 23º EurOMA Conference - conferência acadêmica, na qual os professores Helder Costa e Valdecy Pereira – professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia da UFF – receberam o prêmio Literati Network Awards for Excellence (2016) as a highly commended paper, entregue na cerimônia de encerramento do evento. O artigo premiado foi o A literature review on lot size with quantity discounts: 1995-2013, publicado pelo Journal of Modelling in Management, da editora Emerald Group Publishing.

Confira a bem humorada entrevista concedida ao NME por esses professores, em sua volta à Escola de Engenharia da UFF:


Como foi a reação de vocês quando receberam o convite para o Evento?

Valdecy: Eu tava no bandejão quando vi o e-mail e falei: "ué? Será que eu tô lendo certo?" Aí eu disse "pô, Helder, a gente ganhou um prêmio". Aí ele me olhou e disse que devia ser falso (risos). Só que ele tinha recebido o e-mail também. E foi uma corrida contra o tempo, né. A gente recebeu muito em cima e tinha os trâmites aqui que têm que ser obedecidos. Mas, assim, graças a Deus que deu tudo certo, a gente foi muito feliz pra lá. Acho que, pelo menos para a minha carreira, que eu tô começando, isso foi um marco significativo. Foi surpreendente e muito bacana.

Helder: Pra mim, que tô concluindo, foi um marco mais significativo ainda (risos). Foi o primeiro prêmio, do tipo, que eu recebi, então foi bem legal. Eu sou professor titular aqui; fui aluno aqui; fui funcionário administrativo nesta Universidade; e resolvi fazer minha carreira aqui, e receber esse prêmio assim é muito legal. Valdecy começando a carreira e eu, no final, bem, "final" não sei, mas com mais tempo de estrada

V: Mas demorou ainda pra cair a ficha, mas, quando caiu, falamos "vambora, partiu Noruega" (risos).

 

Como foi a experiência em um evento internacional desse porte?

H: O pessoal da Universidade foi bacana, lá possui uma estrutura boa.

V: A gente reparou lá, vendo as apresentações dos trabalhos, que o que a gente faz aqui, cara, arrisco a dizer que é melhor. A gente tá meio escondido à toa. A gente tá pensando em frequentar bastante esses congressos para mostrar a cara da UFF também, porque, assim, a gente não deixa a desejar, nem um pouco.

H: É, isso foi uma coisa que a gente percebeu.

V: Tem que pegar a baixa autoestima do brasileiro, colocar isso embaixo do pano, que a gente vai.

H: E assim, é interessante isso, quer dizer, essa (a Emerald Group Publishing) é uma editora das maiores do mundo e, nessa área de Engenharia de Produção, ligada à gestão, ela é bem forte, tem muito material. E tem o evento, que é o EurOMA (Conference), então a gente recebeu o convite, num e-mail, dizendo assim: "vocês ganharam essa encomenda (o prêmio) e posso entregar pessoalmente no evento EurOMA ou em um evento que vai acontecer em Taiwan. Se vocês não estiverem lá, veremos outras maneiras de entregar." E aí a gente foi pro EurOMA, a gente não tinha ido nele ainda. O EurOMA é um evento europeu de administração da produção, de gestão de operações, e é um dos maiores do mundo, bem reconhecido na área. Quando a gente chegou lá, vendo os trabalhos sendo apresentados, foi bem... O que a gente faz aqui não fica nada atrás, não. Eu diria até que fica na frente. Só tinha eu, ele (Valdecy) e mais quatro brasileiros, em um evento de cerca de 800 pessoas. Quando o cara fez a entrega deste prêmio, que não é do evento, e sim da Emerald, na cerimônia de encerramento, eu achei que seria só entregar, que o cara ia abrir a mochila e dizer "tá aqui", mas não, eles possuem um grande sistema de premiação de práticas de ensino. Foi bem legal, teve até apresentação de violino antes.

V: Teve música clássica, foi diferente. Eu colocaria um samba (risos).

H: Eles foram bem cerimoniosos.

Sobre o Artigo

V: O artigo em si é uma complementação de uma revisão da literatura que existia antes, que cobria o tema sobre EOQ (Economic Order Quantity, quantidade econômica de encomenda) de 1965 a 1993. A gente teve a ideia de atualizar isso e colocar um pouco do nosso DNA na revisão. Aí, eu atualizei o tema de 1995 a 2013. Eu achei que o trabalho ficou bem feito; a gente foi vendo que, assim, ele ficou muito popular por conta da quantidade de downloads que tinha lá na página (da Emerald) – a média era 104 e a gente tava com mais de 600 downloads, então, ele chamou muita atenção. Eu sabia que tinha ficado bom, mas não tinha ideia de que ia agradar tanto. E a gente trabalha junto desde muito tempo, ele (Helder) foi meu orientador de doutorado; desde então a gente tá numa pegada de realmente escrever coisas com qualidade, principalmente para deixar a UFF em mais evidência, para levar essa marca brasileira pra lá.

H: É importante que as nossas pesquisas fiquem visíveis. Eu brinco que a gente tem que socializar o conhecimento que a gente produz. Não adianta, por exemplo, o aluno que a gente orienta fazer só o trabalho bem feito – é necessário que seja, além de bem feito, publicado, divulgado, para que outros possam usufruir daquele conhecimento gerado. O trabalho que a gente considera bem feito é aquele que gera conhecimento. A gente tem tido experiência com alunos fazendo pesquisa e uma das dificuldades que a gente identificou foi a questão da forma de estruturar a forma de pesquisar. Começamos então a olhar a questão dos métodos, a trabalhar a questão metodológica, para que a gente consiga ter resultados sem tanto sofrimento, né, com felicidade e alegria (risos). Além de fazer trabalho em conjunto dos alunos, eu e Valdecy temos trabalhado bastante em parceria; neste trabalho, a gente conseguiu consolidar uma forma diferente e sistematizada de fazer levantamento bibliográfico. Por exemplo, se alguém vai falar sobre certo assunto, tem que saber quem são os principais autores da área, em que países que esse assunto tem sido discutido, como tem sido discutido, quais são as carências e lacunas, o que precisa ser descoberto etc. Então a gente estruturou isso, que se consolidou nesse artigo. O principal pra gente é que ele tem uma forma sistematizada de chegar nos resultados. Quando eu fui ver o que era este prêmio da Emerald, eu vi que era o prêmio de Outstanding Paper, o paper acima da classe ou referência, um artigo que é recomendado para os autores que quiserem escrever para lá (Emerald) olharem para esse artigo e verem a estrutura que ele tem. Eles chamam de highly recommended paper, um artigo que eles recomendam fortemente. Acho que o grande ganho desse artigo é a estruturação metodológica da revisão que a gente fez. Um dos palestrantes na abertura do Evento (acho que ele era americano) fez um comentário sobre os desafios da área de gestão de operações na área de pesquisa; um deles era o de fazer uma revisão sistematizada, que foi justamente um pouco do que a gente encontrou e que a gente foi, de certa forma, vencendo e mostrando como trabalhar, por isso que a gente ficou muito feliz. A grande contribuição do artigo é seu método. O resultado vai ser, como tudo na vida, vai ficar vencido, mas acho que o método vai ficar por muito tempo ainda. Eu fico feliz que tenho visto isso nos alunos aqui, essa forma de fazer, que tá presente na tese do Valdecy, tem sido uma das marcas aqui da Escola.

V: A gente tem uma parceria bacana, não só entre nós dois, mas também entre outros professores, a gente tá tentando criar uma sinergia. E, assim, ideias vão surgindo, com alunos também, a gente tá sempre escrevendo alguma coisa, o que é bom, mas às vezes extrapola um pouco e os prazos começam a se encurtar (risos), mas a gente não tem perspectiva de "olha, acabou aqui", a gente tem uma parceria que vamos levar por um tempo ainda.

H: Tem muito projeto, muita pesquisa a ser feita.

V: O que não falta é problema pra resolver (risos).

H: Não deixa o patrão descobrir, não, mas a gente gosta do que a gente faz, (risos) acabamos trabalhando mais horas por dia. Esse trabalho foi feito de vários finais de semana.

V: A gente faz pesquisa porque a gente gosta. Esse artigo foi um reflexo de um assunto que surgiu e de uma abertura que apareceu, então resolvemos escrever, sem essa expectativa de ganhar o prêmio, nem sonhávamos com isso. A gente jogou vários outros nessa pegada de fazer pesquisa para contribuir ainda mais com o outro. Tava conversando com o Helder que a gente, como servidor público, tem que dar alguma coisa para o público. Então, vamos ver até onde a gente pode ir para devolver para a sociedade alguma coisa de útil. É um trabalho que vem de muito esforço e é contínuo, não tem como parar.

H: Não dá para parar quieto, toda hora estamos trabalhando, tentando descobrir uma novidade, pensando em uma ação nova

V: E é bom que vicia (risos).

H: É uma adrenalina legal. Tem gente que vicia em comida, a gente se vicia em escrever paper (risos). E é bem legal, temos outros projetos sim, envolvendo construção de indicadores sócio-econômicos, novas formas de calcular o IDH, análise de governança de países etc. Um assunto puxa o outro e, assim, a gente vai avançando.

Links to Best Bookmaker Bet365 it The UK